Bom de poder dizer é aquilo que leva a lugares em que antes nunca esteve, nunca imaginou estar, nem sabia da existência.
Bom de poder dizer é não importar o que falar, palavra não ter lugar a não ser na consciência.
Bom de poder falar é vibrar o que a mente não alcança, é gozar na palavra a lembrança e o que dança mais do que diz.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
tradução
Fazer onde estar vivo se torna um experimento.
Onde a vida movimenta o que quer que se produza
e se passa de sua busca à sua eterna consequência,
inpendentemente das vontades de todas suas perguntas.
Assim, atenção dada a cada coisa à sua volta,
longe da prentensa imagem,
se transforma em cada instante.
E pintar... o que seria?
Se toda presença viva apropriada e incompreensível,
vasta, variada, agita
a cada toque do sensível ao mundo que lhe comporta...
Respirada a cronomia... a qual destino quer ser dada?
Será na filosofia, no arroz de todo dia, nas pedrinhas na calçada...?
de que modo desenhar o que a faça ser sentida,
se não pôr todas perguntas se movendo consentidas,
toda dúvida que expressa seu intento e
assim se exprima toda arte de sua esgrima
que lhe rasga a inexistência em sonido, em ventania,
consciência levada na folia... como venta!,
como venta!, como venta nesse dia...
Onde a vida movimenta o que quer que se produza
e se passa de sua busca à sua eterna consequência,
inpendentemente das vontades de todas suas perguntas.
Assim, atenção dada a cada coisa à sua volta,
longe da prentensa imagem,
se transforma em cada instante.
E pintar... o que seria?
Se toda presença viva apropriada e incompreensível,
vasta, variada, agita
a cada toque do sensível ao mundo que lhe comporta...
Respirada a cronomia... a qual destino quer ser dada?
Será na filosofia, no arroz de todo dia, nas pedrinhas na calçada...?
de que modo desenhar o que a faça ser sentida,
se não pôr todas perguntas se movendo consentidas,
toda dúvida que expressa seu intento e
assim se exprima toda arte de sua esgrima
que lhe rasga a inexistência em sonido, em ventania,
consciência levada na folia... como venta!,
como venta!, como venta nesse dia...
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Van Gogh: estado de desenho
Pintura que se realiza no corpo de quem a vê.
Uma lembrança: imagem movendo pensamento.
Rastro permanente de experiência.
Permanência nunca aleatória, não imutável pois não esgotável.
Meu sonho me leva a um espaço em branco, bem concreto,
situado ali entre um grupo de pinceladas.
Estarrecedor o branco ali, de tela intocada,
filtrando cores de outras pinceladas...
espaçando-as por baixo, como uma retícula.
Tecnicamente o fato choca, grossuras e densidades,
camadas de pinceladas que se erguem.
Jura-se, nada interferira desde que ali pousaram,
e cada uma por sua própria conta,
contraste de textura e cor em relação a outra,
mais dona de si impossível, mas todas elas assim.
Esse grupo de intensidades flutuantes se esqueceu das ordens hierárquicas!
Talvez as figuras por elas formadas...
hierarquia de representações, temáticas ou o que for...,
mas... entre as pinceladas mesmas não. Não permitem.
Ao focar uma delas as outras a amparam.
Algo nos interstícios intocados que as permeiam...
além de outra lembrança... outro sonho... de uma varredura,
rio de cores cintilantes, de correnteza própria, de tranquila observação.
Execussão do olhar: percepção musical.
Cada espaço em branco um tempo de decantação a um foco indeciso,
antes, errante, apenas ritmado... obra de superfície...
o branco... potência silenciosa...
permeando... a reverberação de cada nota...
permitindo à próxima ser tocada...
no instante em que antes se esvaía...
num desejo de olhar... e...
há esse espaço...
livre para a vontade...
Nada que se resolva,
Nada daquela velha sêde de focar.
Van Gogh, o fabricante de cristais de tempo: no rítmo dos afetos...
depositor de tinta... motivo-móvel... engate visual... trem...
estado de desenho... de maria-fumaça... de pintura névoa... de si e... ... ... ... ... ...
Uma lembrança: imagem movendo pensamento.
Rastro permanente de experiência.
Permanência nunca aleatória, não imutável pois não esgotável.
Meu sonho me leva a um espaço em branco, bem concreto,
situado ali entre um grupo de pinceladas.
Estarrecedor o branco ali, de tela intocada,
filtrando cores de outras pinceladas...
espaçando-as por baixo, como uma retícula.
Tecnicamente o fato choca, grossuras e densidades,
camadas de pinceladas que se erguem.
Jura-se, nada interferira desde que ali pousaram,
e cada uma por sua própria conta,
contraste de textura e cor em relação a outra,
mais dona de si impossível, mas todas elas assim.
Esse grupo de intensidades flutuantes se esqueceu das ordens hierárquicas!
Talvez as figuras por elas formadas...
hierarquia de representações, temáticas ou o que for...,
mas... entre as pinceladas mesmas não. Não permitem.
Ao focar uma delas as outras a amparam.
Algo nos interstícios intocados que as permeiam...
além de outra lembrança... outro sonho... de uma varredura,
rio de cores cintilantes, de correnteza própria, de tranquila observação.
Execussão do olhar: percepção musical.
Cada espaço em branco um tempo de decantação a um foco indeciso,
antes, errante, apenas ritmado... obra de superfície...
o branco... potência silenciosa...
permeando... a reverberação de cada nota...
permitindo à próxima ser tocada...
no instante em que antes se esvaía...
num desejo de olhar... e...
há esse espaço...
livre para a vontade...
Nada que se resolva,
Nada daquela velha sêde de focar.
Van Gogh, o fabricante de cristais de tempo: no rítmo dos afetos...
depositor de tinta... motivo-móvel... engate visual... trem...
estado de desenho... de maria-fumaça... de pintura névoa... de si e... ... ... ... ... ...
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
nós dois
Nas relações com amigos e com tantas pessoas quantas pude encontrar na vida, o importante é termos nos aproximado.
A relação que foi possível existir e que acaba por nos habitar como uma energia decantada. Não vejo outro motivo para escrever.
Encontrar palavras para a experiência é em si uma experiência, lê-las pode ser outra e espero que seja boa. Conversar, encontrar nas palavras sentidos que nos servem, nem que para o escritor de uma maneira e para o leitor de outra, feliz que assim seja.
Talvez a cada ciclo algo lampeje e assim desejo. Não vou em busca de uma resposta a uma pergunta, vou em busca de praticar nessas linhas a mesma aproximação viva e os sentidos que trazem as forças que movem o que importa: nós dois e mais.
A relação que foi possível existir e que acaba por nos habitar como uma energia decantada. Não vejo outro motivo para escrever.
Encontrar palavras para a experiência é em si uma experiência, lê-las pode ser outra e espero que seja boa. Conversar, encontrar nas palavras sentidos que nos servem, nem que para o escritor de uma maneira e para o leitor de outra, feliz que assim seja.
Talvez a cada ciclo algo lampeje e assim desejo. Não vou em busca de uma resposta a uma pergunta, vou em busca de praticar nessas linhas a mesma aproximação viva e os sentidos que trazem as forças que movem o que importa: nós dois e mais.
sábado, 26 de maio de 2007
play
...vivemos na carne, "o sentido real" do encontro não se faz para um e nem para o outro... desenhar é brincar...
traços
Quando desenho sinto que os sentidos se produzem, de forma mais movente, através de algo que se faz mais sensível e menos explicável. Embora não abandone esse outro objetivo, me pergunto seriamente: o que é explicar algo para quem não consegue ter qualquer referência vivida que seja para situar o que é dito no que é vivido? Se uma pessoa não conhece algo, pode-se tentar provocá-la, fazê-la viver uma experiência sensível que se constitua. Talvez um texto possa fazer um pouco das duas coisas..., mas como sabemos(?), nada é garantido... (ainda bem!)
sexta-feira, 25 de maio de 2007
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